Organizando a mente
Dias desses comecei a estudar dissertação-argumentativa para prestar um concurso público. Enquanto estava escrevendo uma dissertação, tive dificuldades em escrever o texto de acordo com o que aprendi. Eu conhecia e estou familiarizado com as partes de uma dissertação, como introdução, desenvolvimento e conclusão, e conceitos específicos do português como coesão e coerência, gramatica, regência, etc,. Contudo, meu caro leitor(a) o problema era mais profundo, e o estudo em si pouco dava resultado.
A fim de obter respostas, perscrutei.
Embora conhecesse o conteúdo (tema) e como escrever uma dissertação, cada frase parecia se confrontar com a frase posterior, a desarmonia reinava, dava essa impressão, era como um pianista inexperiente tocando um piano pela primeira vez…. o sentido genérico de pensamentos desconexos evidenciava um suposto raciocino raso e qualquer pessoa poderia dizer: “Ele não domina o assunto”. A hipótese é boa, e sensata, porém, eu sabia e entendia, então por que tecer as palavras não representavam o que eu queria dizer?
Refleti…
A resposta para as minhas indagações ocultavam-se diante de mim. Estava arraigada fortemente como hábito: a desorganização mental. Meu jeito de pensar é amiúde desordenado, principalmente ao elaborar algo complexo, que exige pouco mais de concentração. É no ato de escrever que o desembaraço instantâneo acontece, e o motivo é até surpreendente, eu penso demais.
Penso demais e — de forma concomitante — sobre tópicos diferentes, começo a pensar A, e depois B, e depois C, mas o objetivo geral era pensar apenas em A e escalar A-1, A-2, A-3… sem perder o sentido do assunto. Para exemplificar, imagine que você teve um problema com o carro durante uma viagem. Você tem noção de carros, e sabe o que causou o problema, ao invés de dar atenção a solução de forma simples e direta, perde tempo verificando outras possibilidades de resolve-lo; é como se a objetividade metesse o pé.
Decerto que a mente é naturalmente dinâmica, volátil e rebelde, livre para criar todo tipo de coisas, como evocar sentimentos, imaginar situações ruins ou boas, nos fazer divagar em situações imaginarias que nunca ocorrerão, ou criar problemas onde não tem. É também passiva e reacionária, suscetível aos estímulos externos. Logo, centraliza-la é como dominar um cavalo selvagem; exige esforço — às vezes descomunal, só para manter o foco.
Desordenada, a mente viaja para qualquer lugar e deixa um vazio gélido inexpressivo, o branco paralisante…
É esse famoso “branco” o pavor de todos os criadores, escritores, artistas e um simples concurceiro querendo escrever uma dissertação-argumentativa.
Após notar essa deficiência busquei maneiras de mudar isso. Como já estava estudando outros assuntos devido ao concurso público, topei com a lógica-matemática, conteúdo que será aplicada na prova também. Embora a priori pareça desnecessária, a lógica ajudou a ordenar melhor às ideias e me afastar de explanar pensamentos ambíguos. Além desse auxilio, ao escrever textos mais elaborados (como este post) presto mais atenção. A concentração ao escrever dá mais espaço para a criatividade agir. Mesmo obtendo benefícios, estou aquém do almejado, mas logo, logo estarei absurdamente melhor.